Entenda o porquê do aumento do combustível Entenda o porquê do aumento do combustível

Entenda o porquê do aumento do combustível

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A guerra da Ucrânia tem afetado nossas vidas de muitas maneiras. Uma delas é o aumento do combustível. Para entender como isso se dá, é necessário compreendermos como é calculado o preço da gasolina e diesel, quem estipula se haverá aumento ou baixa e a dinâmica do mercado econômico nesse setor. Todos esses fatores, somados à guerra no país do leste europeu, são importantes para chegarmos ao valor final que pagamos ao abastecer nossos veículos.

Sendo assim, além desses pontos já levantados, também vamos tratar da política de Paridade de Importação, adotada pela Petrobrás, e dos efeitos que a alta do dólar causa no bolso de todos os brasileiros, não apenas de quem abastece seu automóvel. Confira!

Como a guerra na Ucrânia afeta o preço do combustível?

De maneira resumida, podemos dizer que a alta no preço da gasolina e do diesel no Brasil tem relação com a lei de oferta e procura. De acordo com essa máxima, quanto menor a quantidade de um produto em relação à demanda, maior será o seu preço. No caso dos combustíveis, a diminuição da oferta se deve às sanções econômicas aplicadas pelos Estados Unidos à Rússia, país que declarou guerra à Ucrânia.

Em outras palavras, os Estados Unidos impuseram que ele e seus aliados parassem de consumir alguns produtos russos, entre eles o petróleo e o gás natural. Sendo a Rússia o segundo maior produtor e exportador de petróleo e derivados do mundo, isso diminuiu a oferta do produto internacionalmente. Como consequência, o preço desse bem aumentou de forma rápida, alcançando recordes na sua cotação.

Como o Brasil importa petróleo refinado para consumo interno, estamos suscetíveis às variações internacionais. Portanto, toda vez que acontecem crises ou guerras que afetam a cotação do barril, sentimos os efeitos por aqui. Mesmo que não estejamos envolvidos diretamente nos conflitos ou crises.

Como é calculado o preço do combustível no Brasil?

Em nosso país, quem controla o preço cobrado pelos combustíveis é a Petrobrás. Além do valor estipulado pela estatal, também compõem esse total os impostos que são recolhidos por cada estado da federação, e o preço do etanol, que é obrigatoriamente acrescentado à gasolina e a margem de lucro das distribuidoras e revendedoras.

Embora muitas pessoas acreditem que o imposto cobrado pelos estados seja o grande vilão da alta nas bombas de gasolina e diesel, a verdade é que o preço do dólar tem muito mais influência nessa conta do que se possa imaginar. Isso porque grande parte da gasolina e diesel que consumimos no Brasil é importada e comprada em moeda estrangeira. Portanto, quanto mais alta estiver a cotação do dólar, mais caro pagaremos pelos derivados de petróleo.

Quando somamos a esse cálculo da moeda norte-americana as variações de custo do combustível, temos o cenário em que nos encontramos hoje no Brasil. Lembrando que, como o transporte rodoviário é o principal meio de locomoção de pessoas e cargas no país, a alta dos combustíveis acaba afetando toda a cadeia de consumo. Essa é a razão pela qual outros produtos ficam mais caros e a taxa de inflação também sobe.

Por que seguimos o preço internacional do petróleo?

Para entender a razão pela qual a Petrobrás regula o preço do combustível no Brasil de acordo com a variação internacional, temos que voltar ao ano de 2016. Foi nesse ano que o conselho administrativo da estatal implantou a política de Preço de Paridade de Importação (PPI). De acordo com essa política, o valor da venda de combustível no Brasil é atrelado ao mercado internacional. Assim, toda vez que o barril de petróleo fica mais caro lá fora, sentimos esse efeito no bolso aqui dentro.

Antes de 2016, e principalmente durante o governo de Dilma Rousseff, ainda que os preços internacionais estivessem altos, a Petrobrás absorvia o prejuízo e não repassava o montante para os consumidores. Com isso, era possível que mantivéssemos o preço da gasolina, por exemplo, em baixa, ainda que no mundo inteiro houvesse alta.

É importante destacar que, embora sejamos considerados autossuficientes na extração de petróleo bruto, a capacidade de refinar esse petróleo e transformá-lo em gasolina ou diesel não dá conta de atender nosso mercado interno. Por isso, temos que importar esses derivados para ficarmos abastecidos internamente.

Qual será o valor máximo que a gasolina pode chegar?

Essa é uma pergunta difícil de responder. Se levarmos em conta a PPI, seria possível dizer que não há limites para o valor a ser cobrado na bomba de combustível. Porém, como a alta afeta todos os setores da economia e leva a um desgaste político, é provável que o Governo crie algum mecanismo de subsídio ou de freio desses aumentos.

Em março, foi especulado que poderia haver um congelamento de preços ou que os cofres públicos subsidiariam parte do valor pago pelos consumidores. A reação do mercado, por outro lado, foi negativa. Isso porque as medidas afetariam as contas públicas e o repasse dos lucros aos acionistas da Petrobrás. Ou seja, ainda não há solução para que o preço dos combustíveis diminua para os consumidores.

Como pudemos observar no artigo, são vários os fatores que influenciam o quanto vamos pagar pela gasolina ou diesel ao abastecermos. Entre os principais que colaboram para essa alta, temos a política de preços da petroleira brasileira, a cotação do dólar e a escassez de petróleo no mercado internacional devido à guerra na Ucrânia. Nesse cenário, o aumento do combustível continua sendo uma realidade para o bolso dos brasileiros e é preciso buscar alternativas para economizar.

Caso você precise usar o carro todos os dias, ou trabalhe transportando cargas, é hora de começar a prestar atenção em ações no cotidiano que podem fazer seu veículo render mais e gastar menos combustível. Práticas como manter os pneus calibrados, não acelerar demais e deixar o veículo diminuir a velocidade sozinho, usando menos os freios, podem trazer vantagens para o seu bolso no final do mês. 

Quer mais dicas de como diminuir os gastos e economizar combustível? Este artigo aqui tem mais informações que ajudarão você a passar por esse momento!

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